Com salário de R$ 25 mil, 18 deputados aprovam corte de 30% para professor, que ganha R$ 6 mil


Por O Jacaré

Professores pressionaram, mas não conseguiram se sensibilizar deputados, que aprovaram em primeira a redução nos salários dos convocados (Foto: Divulgação)

Em dezembro do ano passado, os deputados estaduais aprovaram reajuste de 16,38% nos próprios salários, que passariam de R$ 25.322,25 para R$ 29,4 mil. Nesta quarta-feira, 18 parlamentares votaram para reduzir em 30% os salários de 9 mil professores convocados na rede estadual. Só quatro foram contra a medida do governador Reinaldo Azambuja (PSDB), que também teve aumento de 16,38% neste ano.

O projeto de lei complementar, que prevê tabelas diferentes para  professores efetivos e convocados, só teve os votos contrários dos deputados estaduais Capitão Contar (PSL), Professor Rinaldo (PSDB), Pedro Kemp e Cabo Almi, ambos do PT.

A proposta foi aprovada com facilidade, com 18 votos a favor, e deve prejudicar 50% dos docentes da rede estadual. Pela proposta, que deve ser votada em segundo turno amanhã (11), eles vão receber 30% menos a partir de 2020.

Reinaldo ainda reduz de 50% para 30% a gratificação paga aos profissionais que atuam nos presídios. A bonificação pelo trabalho em escolas de difícil acesso não será de 10%, mas de até 10%. O Governo vai ficar livre para definir os critérios e pagar menos.

Veja quem votou contra os professores:

1 Antônio Vaz (PRB)
2 Barbosinha (DEM)
3 Coronel David (PSL)
4 Eduardo Rocha (MDB)
5 Evander Vedramini (PP)
6 Felipe Orro (PSDB)
7 Gerson Claro (PP)
8 Herculano Borges (SD)
9 Jamilson Name (PDT)
10 João Henrique (PR)
11 Lídio Lopes (Patri)
12 Londres Machado (PSD)
13 Marçal Filho (PSDB)
14 Márcio Fernandes (MDB)
15 Neno Razuk (PTB)
16 Onevan de Matos (PSDB)
17 Renato Câmara (MDB)
18 ZéTeixeira (DEM)

De acordo com o líder do Governo no legislativo, deputado Barbosinha (DEM), a economia aos cofres públicos será de R$ 130 milhões. Em mensagem distribuída nos grupos de aplicativos e redes sociais, Lídio Lopes (Patri) diz que o Estado pode ficar sem dinheiro para pagar professores e atrasar salários sem o corte.

Só que não faltou dinheiro para aprovar o reajuste de 16,38% nos salários do governador, do vice-governador e dos secretários no ano passado. Em dezembro, a Assembleia aprovou a reestruturação administrativa, que previa 3.064 cargos comissionados. Em relação ao último ano de gestão de André Puccinelli (MDB), o número de cargos de confiança praticamente dobrou.

Confira as diferenças

Profissão Salário Jornada
Deputados R$ 25.322 terça, quarta e quinta de manhã
Professor R$ 6.070 40h – de segunda a sexta

Os deputados encontraram dinheiro de sobra até para elevar os próprios salários em 16,38%, de R$ 25.322 para R$ 29,4 mil. No entanto, o reajuste não deveria ser concedido, porque não houve aumento nos vencimentos dos deputados federais e senadores.

Como o legislativo não divulga o contracheque dos parlamentares e funcionários no Portal da Transparência, a sociedade não tem mecanismos para checar se houve a correção no salários dos deputados.

Com aposentadoria de R$ 30 mil e mais salário de deputado, Londres Machado ri durante sessão que aprovou redução de salários dos professores (Foto: Luciana Nassar/ALMS)

A manobra, de elevar os próprios salários e os maiores vencimentos e de reduzir o valor pago aos professores, Reinaldo e os 18 deputados retomam o costume antigo, de prometer mais investimentos em educação, mas, na prática, só reduzir o dinheiro.

O salário do professor é uma das maneiras de melhorar a qualidade de ensino. Não há milagres nem cidade, estado e país desenvolvido apenas prometendo melhorias a cada campanha, mas restringindo as promessas ao gogó.


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