27 anos de nossa linda 'Lagoa Torta', Por Carlos Leguizamon


Por Carlos Leguizamon

Os mais desatentos poderiam dizer "torta é a mãe", mas quero me valer da origem do nome da nossa cidade para dizer que acho linda a expressão pois me reporta aos caminhos das águas, que são sinuosas, mas têm rumo, direção e não percorrem linhas retas e em cada curva se conta mais uma parte da história, do povo e dos hábitos.

Nesta data, lembrando dos seis anos que já estou por aqui, vejo esta imagem na história e estrutura organizacional e política de nossa Laguna Carapã, assim cheia de encontros e desencontros, diversa na sua cultura, nunca em lugar algum me senti tão confortável sendo de origem paraguaia por parte dos meus pais, ainda que tenha que sobreviver ao velado preconceito que faz parte de toda cultura onde haja extrema necessidade de convivência entre os povos de origem ibero-americanos e os de origem europeia (alemães e italianos), e paranaense de nacimento. Vi, tudo isto, belamente, refletido nas comemorações do aniversário, a presença do índio, dos sulinos, dos paraguaios e me fez valorizar ainda mais a diversidade cultural e a solidária convivência de um povo agraciado por esta terra, por sinal muito produtiva.

Do aspecto político, sinto que se refletiu um momento em que estamos provando de paz enganosa dessas águas, um período de desconfortante apatia em que não se ousa em nenhum programa de desenvolvimento que faça muita diferença na qualidade de vida da população e nos dê a perspectiva de um futuro mais pujante, um inconveniente acordo de cavalheiros entre o Executivo e o Legislativo que insinua, talvez por estarmos longe de algum pleito eleitoral, um pertubador "descansemos que está tudo bem, se você não faz eu também não vejo, nos aquietemos", no entanto, uma evidente aplicação positiva, ainda que questionável a partir do teu direito como cidadão, dos recursos públicos federais, estaduais e municipais, não temos uma gestão parada, estagnada no seu fazer.

E mesmo nesse aspecto, me chamou muita atenção, durante o ato cívico, duas falas, a primeira com relação do abandono do discurso da crise financeira, não que eu não a tenha notado e considerado, porém é preciso ressaltar que os municípios em sua maioria sofrem em função da crise por falta de um planejamento mais efetivo e malversação do dinheiro público e nesse sentido é confortante que nosso município não tenha chegado a tanto, como muitos. É importante destacar este fato porque nos dá o alento e a esperança de que há possibilidades de ampliar nossa visão para fazer mais pela população, pela educação e pela cidade como um todo, entende o quanto a mensagem pode ter sido muito boa?!

A segunda fala, muito importante para mim, veio da parte do pastor que abençoava o município e da parte do seu próprio gestor com relação à necessidade de encontrar saída para gerar emprego e renda numa cidade, que segundo dados extraoficiais do prefeito, está chegando à marca de dez mil habitantes, pois essa problemática ainda representa um vespeiro no qual ninguém quer muito mexer, porém creio que já passou do momento. No entanto, o que foi dito me representa outra renovação de expectativa, pois apesar do excelente acolhimento, muitos filhos desta amada terra não encontram mais oportunidades em seus limites geográficos e o simples abordar da questão nos oportuniza a buscar mais para Laguna Carapã, no horizonte para o qual as suas águas estão nos conduzindo.

Não há nada demais sermos cidade satélite de Dourados, mas se pudermos encontrar nossas próprias saídas e soluções para o nosso comércio e o nosso desenvolvimento social ainda melhor. O que quero dizer com tudo isso é que saí do evento de comemorações de 27 anos de Laguna Carapã esperançoso que podemos e desjamos mais para a nossa cidade, ainda que que em meio a algum ou outro aspecto de omissão.

Vejo possibilidades para o povo, um despertar para as problemáticas mais coletivas, valha-nos o Senhor para que venhamos a nos descolar desses comportamentos mais imaturos de divisão que nos assola, muito evidente em todos e quaisquer eventos da cidade, para construirmos a cada novo aniversário uma unidade de propósitos que nos faça avançar no planejamento, no desenvolvimento e nas tomadas de decisões mais adequadas para o favorecimento dos lagunenses como um todo. Vamos seguir navegando nessa lagoa que é torta, não por meros enganos, mas porque nos apresenta muitas e boas alternativas, se assim o quisermos.

Parabéns Laguna Carapã. Parabéns povo lagunense!


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