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Lula passa primeira noite em cela da PF e militância promete vigília

Apoiadores do ex-presidente garantem só arredar pé do local após o petista deixar a cadeia


Por metropoles

Após um tumultuado processo, Luiz Inácio Lula da Silva foi preso e passou a primeira noite na cela da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba (PR). Militantes que se concentraram em frente à sede do prédio prometeram manter-se em “vigília permanente” até a liberação do ex-presidente. Muitos chegaram a acampar no local.

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), presidente do PT, confirmou a intenção de os apoiadores do petista não arredarem pé do local enquanto Lula estiver encarcerado. “Lula é um preso político e Curitiba se tornará o centro das nossas ações políticas”, afirmou.

Café da manhã
Nesta manhã de domingo (8/4), Lula teve seu primeiro café da manhã servido por agentes da PF: pão com manteiga e um copo de café com leite. A calmaria registrada no local na manhã deste domingo (8) contrasta com a tumultuada noite de sábado (7).

Pouco depois das 22h, uma confusão aconteceu enquanto o ex-presidente dava entrada no edifício para o início do cumprimento de sua pena, conforme determinação do juiz Sérgio Moro.

Segundo a Polícia Militar curitibana, apoiadores do petista teriam forçado os portões da sede da PF, levando os soldados a reagir. A tropa de choque, então, disparou contra a multidão, usando munição não letal – balas de borracha. Várias pessoas foram atingidas e tiveram ferimentos. No momento da ocorrência, cerca de 400 apoiadores do PT estavam no local. Além da tropa de choque, homens do Batalhão de Trânsito também atuavam na separação dos partidários do ex-presidente Lula e seus opositores.

“Não houve força excessiva. Os manifestantes jogaram uma primeira bomba e, então, a PF jogou uma bomba em resposta. O choque respondeu”, informou o tenente-coronel Mário Henrique do Carmo, do 20º Batalhão, responsável pelo policiamento na região. Ele, contudo, admite que as polícias estavam desorganizadas, o que contribuiu para a situação.

Para dispersar a multidão, a PM também fez uso de bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo. Segundo o Corpo de Bombeiros, nove pessoas, incluindo crianças, foram atendidas com ferimentos ou passando mal devido à inalação de gás. Três acabaram socorridas à unidades hospitalares da região; uma, em estado grave.

Os manifestantes negam ter provocado o tumulto. O senador Lindbergh Farias (PT-RJ), que foi a Curitiba acompanhar a apresentação do ex-presidente à PF, foi para a rua e ficou ao lado da militância, a fim de evitar mais violência.

Aos poucos, após a confusão, apoiadores e opositores a Lula deixaram o local. Ainda na noite de sábado, uma ordem judicial foi expedida vetando manifestações nas imediações da Superintendência da PF de Curitiba.

Isolamento

Durante a tarde, a PM fechou as ruas vizinhas e reservou espaço para separar os manifestantes contrários e favoráveis ao ex-presidente Lula. Perto do portão principal, onde está a imprensa, ficam os apoiadores dele.

Do outro lado, ficaram os contrários. Todos vestidos de verde e amarelo, com bandeiras do Brasil e comemorando a prisão do ex-presidente. Gritam “Lula na cadeia” e “Moro, o salvador do país”. Já ocorreram episódios de ofensas entre os grupos e contra repórteres.


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