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Adolescente assistiu advogada morrer e ficou cerca de 8 horas com o corpo

Vítima foi enforcada pelo menor em casa, aos fundos do depósito


Por Correio do Estado

Clarinda foi morta de forma cruel aos 72 anos. - Foto: Arquivo

O adolescente de 16 anos, suspeito de matar e roubar a advogada Clarinda Tamashiro, de 72 anos, na manhã de ontem, em Aquidauana, assumiu a responsabilidade sobre o crime de latrocínio. Demonstrando frieza que impressionou até a polícia, ele confessou ter assistido a vítima morrer por asfixia e ficou na casa com o corpo por aproximadamente 8 horas. Ele planejava fugir com R$ 13.800 encontrados no guarda-roupas, mas acabou apreendido no local.

Segundo o delegado Éder Oliveira Moraes, titular da 1ª Delegacia de Polícia do município, foi levantada a hipótese de envolvimento de mais pessoas, porém, tal possibilidade pode ser descartada. Além disso, é preciso resultado de laudo pericial para confirmar se houve violência sexual, já que a vítima foi encontrada amarrada e nua sobre a cama. "Ele detalhou tudo com uma calma que até assusta. Já conhecia a vítima e sabia a rotina", disse.

O CRIME

Conforme explicado pelo delegado, o menor disse em depoimento que já tinha roubado a vítima outras três vezes, inclusive em dezembro do ano passado, quando levou o celular e R$ 5 mil dela. Por este motivo, conhecia bem o local dos fatos e sabia que horas a vítima acordava. O crime foi cometido no Depósito Tamashiro, localizado no Bairro Alto. O estabelecimento era administrado pela vítima e também era onde ela morava.

O garoto chegou por volta das 5 horas de ontem e ficou esperando Clarinda acordar. "Ele se escondeu no quintal, pois sabia que a cozinha da casa ficava em uma área separada e que bem cedo a vítima teria que sair", relatou o delegado. Às 6 horas a vítima abriu a porta e saiu, conforme esperado, oportunidade em que o autor entrou escondido e foi para o quarto dela, ficando atrás da porta. "Ele disse que a mulher vestia apenas uma camiseta, sem roupas íntimas, motivo pelo qual teria sido encontrada nua".

Sem perceber a presença do estranho, a vítima voltou para o quarto, oportunidade em que foi agredida com soco no rosto, sofrendo corte profundo. Em seguida, o menor a segurou pela boca para que não gritasse e a encurralou contra a parede. A idosa não resistiu e caiu. "Ele então amarrou ela pelas mãos e pés com fios de eletrodomésticos, tapou a boca dela com toalha e passou fio por cima, para garantir que a toalha ficasse firme", explicou.

Como se não fosse suficiente, adolescente pegou o fio de telefone e enrolou em volta do pescoço de Clarinda, asfixiando-a lentamente. "Neste momento é que temos certeza da crueldade do crime. Ele ficou observando a vítima se debater, lutando pela vida, até não conseguir mais". Após a morte, começou a vasculhar a casa em busca de objetos de valor, encontrando R$ 13.800 no guarda-roupas.

FLAGRANTE 

O dinheiro foi recolhido e colocado no porta-malas do veículo que estava no quintal. À polícia, ele disse não saber dirigir, motivo pelo qual foi levantada suspeita de que mais pessoas tivessem participado. Entretanto, o menor confessou que deixou o dinheiro no carro porque, caso fosse flagrado, poderia sair às pressas e retornar mais tarde para pegar, já que provavelmente ninguém iria observar ali.

"Ele fez tanta coisa enquanto esteve lá. Tirou fotos do corpo, do local, mandou imagens do dinheiro para o pai e até mesmo chegou a pedir um táxi para Bonito, para fugir". Conforme apurado, vizinhos desconfiaram do sumiço de Clarinda e foram verificar o local já à tarde, por volta das 14 horas, ocasião em que flagraram o garoto no local e acionaram a Polícia Militar. Ele está na delegacia, aguardando vaga no sistema penitenciário.


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