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Padre Crispim Guimarães

Padre Crispim Guimarães


Começou o tempo das promessas



Publicado em : 26/08/2016





 Período eleitoral é um tempo especial, aparecem profetas, salvadores, soluções para todos os problemas, até aqueles que se imaginam  insolúveis em quatro anos; mas a “criatividade” dos candidatos e seus marqueteiros impressionam, para eles tudo é possível. Neste curto espaço de tempo, as pessoas são procuradas efusivamente, os tapinhas nas costas daqueles que nunca são lembrados, as refeições em lugares que os candidatos nunca frequentaram fora do período eleitoral, tudo isso e muito mais será observado até dois de outubro.

 

Porém, não consta na história brasileira uma campanha eleitoral realizada num cenário tão particular como a de 2016. Muitos serão os fatores que influenciarão no pleito atual. Embora na eleição de 2014, a Operação Lava Jato já estivesse em curso, ainda não tinha alcançado tantos figurões da política e do empresariado. Talvez aqui, encontre-se um dos processos sociais mais importantes deste pleito. Cada candidato, ao observar que a justiça está investigando e punindo “peixes” grandes, médios e pequenos, pode tomar consciência que o crime não é mais algo impune como outrora.

 

Obviamente,  esta não é a única novidade, outros fatores importantes estabelecidos pela justiça eleitoral  influenciam este processo. “A Lei nº 13.165/2015, conhecida como Reforma Eleitoral 2015, promoveu importantes alterações nas regras das eleições deste ano ao introduzir mudanças nas Leis n° 9.504/1997 (Lei das Eleições), nº 9.096/1995 (Lei dos Partidos Políticos) e nº 4.737/1965 (Código Eleitoral)”. Uma das mudanças mais significativas, e que precisará de tempo para avaliar sua eficácia e benefícios, é o não financiamento de campanhas eleitorais por pessoas jurídicas; espera-se que esta moralize as relações entre empresariado e políticos, não veiculando os eleitos às  práticas retributivas, sobretudo, por meio de licitações.

 

Também a abordagem pessoal, distribuição de santinhos, a propaganda nos meios de comunicação, comícios, redução de tempo de campanha, que poderá reduzir também os altos custos, foram revistos. Deveria ser uma oportunidade para rever o modo de “fazer política”, mas talvez isso ainda leve algum tempo, para que seja internalizado na concepção partidária e na relação que o eleitor tem para com seus candidatos, que infelizmente, ainda está atrelado a favores imediatos e pessoais.

 

Contudo, muitos vícios ainda revelam o que nossa política se acostumou a praticar. Olhando as notícias, uma das coisas que mais impressiona é a declaração de bens dos candidatos. Às vezes, são empresários bem-sucedidos, mas se apresentam como cidadãos que ganham “salário mínimo!”.

 

Enfim, estamos num processo de construção da democracia, o que exigirá da sociedade brasileira muito mais informação e tomada de consciência. Efetivamente, para além das decisões da legislação que imprimiu várias mudanças no processo eleitoral, é o eleitor que pode influenciar na moralização da vida pública. Um instrumento moralizador oferecido pela justiça eleitoral são os aplicativos para constatar compra de votos e outras irregularidades, já que vivemos na era da tecnologia, usá-la como meio de moralização será uma excelente contribuição cidadã para inibir crimes eleitorais e consequentemente ajudar na construção da democracia.

 

Pe. Crispim Guimarães

Pároco da Catedral de Dourados.

 

 

 

 

 

 

 




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