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Padre Crispim Guimarães

Padre Crispim Guimarães


Todos os brasileiros são estupradores



Publicado em : 03/06/2016





 A notícia do “estupro coletivo”, perpassou todas as residências brasileiras nestes dias, gerando revolta, falas e atitudes as mais variadas. Nada justifica estupros, seja a agressão praticada por uma só pessoa, duas, três ou 30, nenhuma justificativa é aceitável! Nada justifica dizer que “a mulher estava com roupas de prostitutas”, ora, quando um homem está sem camisa ou usando short ele está insinuando que deseja ser estuprado? É óbvio que não! Nada apagará da vida dessa jovem o trauma sofrido, por isso, tudo deve ser feito para evitar novos casos de estupros e violência contra mulheres.

 

Na mesma velocidade que correu a notícia e as manifestações de solidariedade, correu igualmente o desserviço em usar a vítima como pode expiatório de ideologias que promulgam as mais variadas aberrações. Utilizando-se da desgraça da adolescente logo apareceram os pseudos-sociólogos, filósofos, defensores..., a clamar a imediata adoção do aborto como meio de debelar esse mal. Em várias entrevistas a acusação: “no Brasil existe uma cultura do estupro”, implicitamente dizendo: “os homens brasileiros são estupradores”.

 

É imoral usar a desgraça e a dor alheia para emplacar temas como aborto, e acusar metade da população de crimes que ela não cometeu. Não passou despercebido a militância de certa parte da imprensa, quando, por exemplo, no dia seguinte ao ocorrido, mostrou uma jovem que fez um manifestação com cartazes de várias pessoas em muros da capital paulista, manifestação justa se a causa fosse a violência praticada contra mulheres. No entanto, a primeira fala sobre o fato não foi sobre a dor da vítima, mas a defesa do feticídio.

 

Discutir o tema da violência contra a mulher, e mais, da violência contra todos os brasileiros - é urgente, já que aproximadamente 60 mil brasileiros (homens e mulheres) são assassinados todos os anos, mas fracionar uma causa ideológica, aproveitando-se da dor e desalento de pessoas fragilizadas, instrumentalizando-as, é um desserviço ao país e a reflexão da causa. Na mesma discussão, alguns pontos passaram despercebidos para a maioria, exatamente porque os ânimos estão acirrados pelo fato em si, e pela manipulação de alguns, e é nessa perspectiva que certas defesas não ajudam, sendo que a consciência coletiva carece de aprofundamento reflexivo em momentos de comoção.

 

Não sou a favor de baixar a maioridade penal, mas nesta discussão os que hoje acusam a “cultura do estupro” precisariam fazer uma reflexão sobre os menores envolvidos e a criminalidade crescente nesta parcela populacional, assim como, discutir a violência envolvendo o tráfico de drogas, quando a sua liberação é tão enfaticamente defendida. Se a problemática do estupro, neste caso, com participação de menores, como ocorreu em maio de 2015, quando quatro menores e um adulto torturaram e estupraram quatro adolescentes na cidade de Castelo do Piauí, a 190 km de Teresina, não for amplamente discutida, estamos dizendo que estupro praticado por menores não é tão grave quanto o praticado por adultos.

 

Homens e mulheres precisam trabalhar juntos para debelar qualquer violência, obviamente, é preciso discutir o tema do machismo ainda presente na cultura brasileira, mas a discussão carece ser séria e não fruto do acirramento dos ânimos e/ou da defesa da causa sem os verdadeiros pressupostos.

 

“A generalização cria uma guerra dos sexos inútil, que gera desconfiança e perpetua estereótipos: infantiliza as mulheres e despreza suas possibilidades de resistência ou de mudança de papéis, além de ignorar os inúmeros casos em que os homens são vítimas de violência sexual ou são injustamente acusados de terem-na cometido” (palavras de Cynthia Semíramis, doutorando em Direito - UFMG), ou ainda daqueles que não se negam a defender as causas das mulheres nos processos de maiores conquistas e igualdade.

 

Repito: nada justifica o estupro, nada justifica a violência (contra mulheres), nada pode justificar que todos os homens paguem pelo erro de alguns! Nada justifica que o estupro seja pressuposto para matar crianças. Neste caso, a discussão não é sobre o fruto do estupro, mas é pretexto para o aborto em várias circunstâncias.

 

Pe. Crispim Guimarães

Pároco da Catedral de Dourados




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