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Padre Crispim Guimarães

Padre Crispim Guimarães


Os defensores da Pátria.



Publicado em : 01/04/2016





Muitas vezes ao surgir um problema social a Igreja Católica é convidada a se manifestar, se o faz em relação aos indígenas, por exemplo, acusam-na de ser parcial e contra os agricultores, portanto de esquerda, se vai a uma passeata contra a corrupção é identificada imediatamente como de direita e burguesa.

 

Fosse a Igreja se pautar por estas falas teria sérios problemas de identidade. Mas o tempo é sábio e revelador. Muitos devem recordar-se dos problemas surgidos em 2013, quando os agricultores foram conclamados a não devolverem o dízimo nas paróquias porque essas estariam financiando as invasões. Na ocasião, 14 de junho daquele ano, em Nova Alvorada do Sul, a senadora Katia Abreu foi a estrela de um evento para tratar do tema envolvendo índios versos agricultores.

 

Depois da sua participação a parlamentar cobrou posição do ministro da Justiça de então, José Eduardo Cardozo, acerca da segurança para que os agricultores do Mato Grosso do Sul pudessem trabalhar em paz. Katia, na época, era radicalmente contra o Governo! Várias vezes fez questão de se manifestar na Tribuna do Senado cobrando providências do Governo de esquerda, como o qualificava.

 

Para a Igreja polarizar sobre esquerda ou direita não é conveniente, mesmo porque ela não pode assumir o papel do Estado na resolução dos problemas, muitos deles criados pelo Estado, mas contribuir, quando possível, para que haja paz e concórdia, sem que os filhos de Deus sejam colocados à margem. Assim, não desejo trazer de volta para a dimensão eclesial este debate que perpassa muito mais a esfera política e jurídica, mas fazer uma reflexão sobre o cuidado com as manipulações que todos podemos sofrer.

 

Neste caso especifico, o que vemos é que a antiga defensora dos agricultores, e acusadora do Governo, hoje é ministra, diz parte da imprensa, que é uma das pessoas mais próxima da Presidente, e, mesmo o seu partido, PMDB, optando por deixar os ministérios, ela não quer sair.

 

Estamos vendo um festival de incoerências que assusta, por isso, exige uma maior profundidade quando nos dirigimos às instituições, classes e indivíduos, o momento social é oportuno para amadurecer reformas como a política, a tributária, entre outras, mas é mais que oportuno para a população e as instituições se debruçarem sobre o próprio país, seus problemas e representantes.

 

Os defensores da Pátria, e Pátria é mais que país, é “terra paterna”, portanto, os defensores de alguns lugares e/ou situações, precisam de um olhar cuidadoso, para não incorrer nisso que agora observamos com a senadora Katia Abreu, que não é o único caso, assim como, necessita-se de critérios para acusar outros. Não vi uma notícia de alguém que tenha se manifestado sobre o desempenho contraditório da Ministra, especialmente no Mato Grosso do Sul.

 

Ela deve ter suas razões..., aqueles que precisarem de defesa e auxílio para o diálogo, devem procurar também boas razões, bons defensores de suas causas, para além de ideologias.

 

Pe. Crispim Guimarães

Pároco da Catedral de Dourados




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